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quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu sou como se fosse um passarinho (baseado na propaganda da MTV)

Penso, penso, pensa comigo
Penso naquilo, penso nisso, penso, penso
Olha-me pensando
E o pensamento aflorando
Penso, penso, pensa comigo

E voa no pensamento do meu canto.

Voa comigo, voo avoado.
E o pensamento se perde
Nas asas e no vento

Perdido, voando, pensando em pensar em nada
Penso, penso, pouso.

Voa no pensamento do meu canto.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Yo solo quiero amarte.

Quero lamber-te as lágrimas
Beber-te os pesares
Comer-te os problemas

Quero roer-te as mágoas
Chupar-te o rancor
Morder-te os dilemas

Hold me tight, little angel.
I'll give you my life, little devil.
C'est la vie.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Insanidade Escolhida




Quantas vezes comecei a escrever isso? Quantas vezes simplesmente apaguei tudo e desisti? Nem parei para contar, não quis me dar ao trabalho... Na realidade, já nem sei o porquê de estar escrevendo, deve ser por isso que sempre apago tudo. Não importa, não importa. Creio ver uma necessidade muito grande na escrita, por mais banal e sem sentido que fique o texto.


Quero mostrar todas as minhas faces, se é que eu tenho alguma. Tenho vontade de criar poemas, sem rimas porque rimas prendem, e sem temas porque temas limitam. Meus desejos de escrever roteiros para curtas, como aquele do velho mendigo que vendia sonhos, estão cada vez mais transparentes. O problema é ficar na vontade, tentar escrever e não sair nada... 

A depressão vem e vai, vem e vai... Ela é tão martirizada pela minha inconsciência, que já nem sei se é exagero ou não. Interessante o tanto que as pessoas valorizam a insanidade, algumas chegam até a fingí-la para chamar a atenção. Mas acho que além dessa, as outras causas de minha depressão inconstante são muito inconclusivas e principalmente discutíveis. Por que falar disso? 

Li uma vez em um poema de Viviane Mosé que a vida anda passando a mão em mim. A vida anda passando a mão em tudo, mas ainda mais em mim. Ela está certa, a Viviane Mosé... O tempo anda me comendo, me mordendo, me consumindo. Na realidade, o tempo não faz mais que a obrigação ao me comer. Se quer interpretar como sexo, pode interpretar como sexo, isso desgasta. O tempo me desgasta. Por enquanto ele ainda não me olha nos olhos. Não tenho coragem de olhá-lo nos olhos também. Então nossa relação é assim, fria e distante, cansativa, dolorosa. 

Falando em relacionamentos cansativos... Para quê casar? Namore, no máximo vá morar com a pessoa, mas não entre na burocracia de casar. Eu quero me casar. Quero usar um vestido bonito, andar pela praia e ver a pessoa que escolhi para mim ali, me esperando. Mas tenho pouca idade ainda... Pouquíssima idade. Por que pensar nisso agora? Simplesmente penso, não tenho culpa. Ou talvez tenha. Isso de "não tenho culpa" é um vício mentiroso, sempre se tem culpa... Então tenho sim, tenho culpa, tenho culpa porque penso, penso porque sou humana. Tenho culpa de ser humana? Tenho culpa de ser humana. 

Filosofar me irrita, é verdade... Não sei porque ainda o faço. Aliás, eu não sei se devo. Poetas enlouquecem com facilidade por causa disso. Mas acho que poetas fingem, assim como diz Fernando Pessoa. Então a insanidade dos poetas é encenação? Eu, poetisa, enceno? Eu finjo? Finjo sim. Eu finjo a insanidade. Isso é deprimente, completamente deprimente...

domingo, 24 de outubro de 2010

Discurso de Formatura.


Boa noite a todos os presentes convidados, colegas, professores, funcionários.

Disse Saramago uma certa vez: "Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida". E o que é que sabemos até agora? Na realidade, muito pouco, mas estamos aprendendo.

Há muitas palavras para descrever o que passamos, e ainda mais palavras para descrever o que esperamos da vida a partir de agora. O problema é proferi-las sem contradizer uma ou outra pessoa, ainda mais sabendo de todas as diferenças encontradas não somente entre os formandos, mas entre todos que estão aqui presentes. Entre os politizados e os que apenas querem curtir a vida, entre os chamados “nerds” e os “populares”. Talvez no fundo sejamos todos iguais, todos buscando viver.

Muitos dirão que a vida é feita de atos, outros dirão que a mesma é feita de palavras. Eu digo que a vida é feita de música. Todos os momentos, todas as fases. Somos partituras vivas. Partituras que ainda serão incrivelmente modificadas e nunca estarão perfeitas, mas podem muito bem ser um grande sucesso. E quem nos escreve? Quem nos modifica? Começa com a família, depois amigos, depois professores... Cada partícula da sociedade coloca uma nota diferente.

Por falar em professores... Agradeçamos a eles pelo que nos ensinaram, e também por aprenderem conosco. Talvez uns tenham marcado mais que outros, talvez uns tenham lidado melhor conosco do que outros, mas no final todos eles são pessoas que mais tarde nos lembraremos com uma sensação boa e saudosa. Mais que professores, companheiros. Mais que companheiros, amigos. Então acho que falo por todos ao dizer: obrigada por tudo, pelas experiências; pelo apoio, do fundo da alma.

Quanto aos colegas de sala, nada se compara ao paradoxo de carinho e irritabilidade existente entre nós. Sim, porque nem tudo são flores. Mas é com eles que aprendemos a lidar com cada tipo de gente existente, desde o mais introspectivo até o mais extrovertido. Construímos aqui amizades fortes, elos que decidimos serem inquebráveis. Também formamos relações de inimizade, algumas realmente sem muito sentido, outras com razões ainda discutíveis e mesmo assim estamos todos aqui, comemorando juntos.

Comemorando juntos... Afinal, qual o sentido dessa festa toda? Viemos aqui, vestimo-nos belamente, para quê? Criamos expectativas, esperamos ansiosamente pelo fim do Ensino Fundamental... Mas ainda temos três incríveis anos de escola pela frente. Não falo em tom de ironia, realmente acredito que o Ensino Médio possa ser uma das melhores fases de nossas vidas. E para aqueles que se desanimam com isso... O que são mais três anos para quem já enfrentou oito?

Para o fim desse ano tudo o que precisamos é ânimo. Ânimo para continuar vivendo, aprendendo e ensinando. Ânimo para continuar conquistando, caindo e levantando. Somos o futuro, não somos? Então por que não tornar esse futuro algo surpreendente? Cazuza diz que o tempo não pára... Se não o aproveitarmos da melhor forma possível, será difícil ser feliz.

Novamente em palavras de Saramago: "Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós". E nós, meus caros, somos responsáveis por muita coisa. Lembrando que o mundo é santo, nós que o deixamos malicioso.
Obrigada mais uma vez, e tenham uma boa noite.


(Ninna de Moura Abreu – Oradora das turmas de 9º ano do Sigma Norte de 2010.)