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sábado, 4 de junho de 2011

Verdades não ditas

- Oi, meu amor, tudo bem? - Sua voz encanta, mas estraçalha.

Dor infinita da alma, terror do que não se vê, saudade do que nunca teve. Se eu morrer de corpo, tê-lo comido por vermes, talvez minha vontade o fizesse notar-me em espírito ao seu lado. Dor infinita no peito, terror do que se sente, saudade do seu carinho.

Se a complexidade que envolve a troca indireta de energias tanto boas quanto ruins, já foi analisada e vencida por nós, não entendo como ainda há tantos desafios bem menores que apresentam impossibilidade de resolução.

Já não consigo chorar, meu amor. As lágrimas se perderam na boca do estômago. Mas não se engane, vez ou outra sobem à garganta e ficam presas como um nó. Infelizmente elas voltam ao local anterior para novamente se perderem. É um ciclo, meu amor, um ciclo que dói como a falta de ar, e desespera. 

A falta de ar sentimental não mata, corrói. É pior, não é, meu bem? É tão pior... Ter sua alma corroída, torturada, mal-tratada e não poder libertá-la. Cuida de mim, querido! Cuida de mim que já não o consigo fazer sozinha, e não quero que o sofrer seja a única opção. Não quero mais esse gosto de sangue na língua. Cuida de mim! Cuida, por favor, meu amor! Estou em brasas, meu bem, meu espírito deitado em brasas...

- Tudo bem...
- O que houve?
- Nada, nada. - brasas, brasas.

Se as dores minhas
Forem dores tuas
Nossa maçã será comida inteira
Como fui comida por ti

quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu sou como se fosse um passarinho (baseado na propaganda da MTV)

Penso, penso, pensa comigo
Penso naquilo, penso nisso, penso, penso
Olha-me pensando
E o pensamento aflorando
Penso, penso, pensa comigo

E voa no pensamento do meu canto.

Voa comigo, voo avoado.
E o pensamento se perde
Nas asas e no vento

Perdido, voando, pensando em pensar em nada
Penso, penso, pouso.

Voa no pensamento do meu canto.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Yo solo quiero amarte.

Quero lamber-te as lágrimas
Beber-te os pesares
Comer-te os problemas

Quero roer-te as mágoas
Chupar-te o rancor
Morder-te os dilemas

Hold me tight, little angel.
I'll give you my life, little devil.
C'est la vie.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Insanidade Escolhida




Quantas vezes comecei a escrever isso? Quantas vezes simplesmente apaguei tudo e desisti? Nem parei para contar, não quis me dar ao trabalho... Na realidade, já nem sei o porquê de estar escrevendo, deve ser por isso que sempre apago tudo. Não importa, não importa. Creio ver uma necessidade muito grande na escrita, por mais banal e sem sentido que fique o texto.


Quero mostrar todas as minhas faces, se é que eu tenho alguma. Tenho vontade de criar poemas, sem rimas porque rimas prendem, e sem temas porque temas limitam. Meus desejos de escrever roteiros para curtas, como aquele do velho mendigo que vendia sonhos, estão cada vez mais transparentes. O problema é ficar na vontade, tentar escrever e não sair nada... 

A depressão vem e vai, vem e vai... Ela é tão martirizada pela minha inconsciência, que já nem sei se é exagero ou não. Interessante o tanto que as pessoas valorizam a insanidade, algumas chegam até a fingí-la para chamar a atenção. Mas acho que além dessa, as outras causas de minha depressão inconstante são muito inconclusivas e principalmente discutíveis. Por que falar disso? 

Li uma vez em um poema de Viviane Mosé que a vida anda passando a mão em mim. A vida anda passando a mão em tudo, mas ainda mais em mim. Ela está certa, a Viviane Mosé... O tempo anda me comendo, me mordendo, me consumindo. Na realidade, o tempo não faz mais que a obrigação ao me comer. Se quer interpretar como sexo, pode interpretar como sexo, isso desgasta. O tempo me desgasta. Por enquanto ele ainda não me olha nos olhos. Não tenho coragem de olhá-lo nos olhos também. Então nossa relação é assim, fria e distante, cansativa, dolorosa. 

Falando em relacionamentos cansativos... Para quê casar? Namore, no máximo vá morar com a pessoa, mas não entre na burocracia de casar. Eu quero me casar. Quero usar um vestido bonito, andar pela praia e ver a pessoa que escolhi para mim ali, me esperando. Mas tenho pouca idade ainda... Pouquíssima idade. Por que pensar nisso agora? Simplesmente penso, não tenho culpa. Ou talvez tenha. Isso de "não tenho culpa" é um vício mentiroso, sempre se tem culpa... Então tenho sim, tenho culpa, tenho culpa porque penso, penso porque sou humana. Tenho culpa de ser humana? Tenho culpa de ser humana. 

Filosofar me irrita, é verdade... Não sei porque ainda o faço. Aliás, eu não sei se devo. Poetas enlouquecem com facilidade por causa disso. Mas acho que poetas fingem, assim como diz Fernando Pessoa. Então a insanidade dos poetas é encenação? Eu, poetisa, enceno? Eu finjo? Finjo sim. Eu finjo a insanidade. Isso é deprimente, completamente deprimente...