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terça-feira, 9 de junho de 2015

carbonato de lítio

II

Um comprimido por dia ao "acordar".
450mg – uso adulto
“Níveis tóxicos do lítio estão próximos a níveis terapêuticos. Os pacientes e seus familiares devem estar atentos a sintomas precoces de intoxicação, interrompendo o uso da droga e informando o seu médico imediatamente.”

Não passar de um comprimido por dia ao "acordar".
Mas eu preciso mesmo levantar? Sair
da cama, do quarto... Lavar o rosto e encarar o espelho que não mostra
nada novo?
Doença cretina escancarada nas olheiras,
bolsas negras sem vida sob as janelas da alma. Que irônico é não sonhar.

Estranho, entretanto, é esse sentimento antitético de esperança e
desapontamento precoce. Eu sei que
esse tipo de droga pega o caminho mais comprido pra chegar ao seu destino final. Isso tudo
para que eu não tenha um final.
Não assim tão cedo.

Dia 1, dia 2.
Dia 3, dia 4, ... , dia 6.
Segunda semana de medicação – picture here a blackboard [NO CHALK]. Então eu escrevi
com as unhas, arranhando o quadro eu escrevi o que sentia:
d e s e  s   p    e     r       o
do tipo que ecoa, do tipo que atormenta de fato. E DE FATO eu entrei em desespero.
Agonia profunda.
Dor.

O real fundo do poço antes da luz da saída. Disseram-me. Agora entendo.
A sensação-buraco com toda a sua força.
O mundo meio turvo o dia inteiro, coberto de cansaço e aquela amiga íntima,
a Solidão. O meio mais fácil é seguir com o véu,

esperar ele cair sozinho.

Dois comprimidos por dia.

Vício

O gosto amargo do café
misturado às mágoas do cigarro.
Um rosto pensativo,
os olhos encarando o vazio.

O nada.
Aquela velha questão
do porquê do vício fétido...
E mais um trago.

O cigarro chegando na
met
ade.
Mais um trago.
As fumaças se misturam.
A cena é linda.
O vício da beleza.
E mais um trago.

A fumaça inquieta.
Ele calmo.
O vício do paradoxo.
Mais um trago...

O cigarro está no fim...
É o último e ele não sabe
se vale a pena.
O cigarro acaba,
o filtro vai ao chão,
pisado como ele mesmo já fora tantas vezes...

Valeu a pena?
O vício dúbio
             dialético
               humano.

domingo, 29 de março de 2015

Um sonho de uma amiga e o exagero da realidade a partir do mesmo ou "I can't quit you, baby"

A minha vida acabou no momento em que a dele acabou. Exatamente como o rolê, que morreu junto com ele. Nosso centro acadêmico murchou, parece que fechou junto com o caixão... Ainda não entendi muito bem como aquilo aconteceu. Não entendi como ele pôde fazer isso comigo. E essas palavras ecoam na minha mente... Não. Ecoam na minha alma. 

"Como você pôde me deixar sem dizer adeus...? Eu não estou pronta... Eu não estou pronta."

Sei que ele não teve escolha, mas é que achei tão injusto! Seu colar está comigo e eu nunca gostei de perder amigos. Mas perdê-lo é outro nível de dor. Perdê-lo é como perder o chão. Não, não vou transformar isso em uma comparação... Perdê-lo é perder o chão. É quase literal, porque eu sei e todos que me conhecem sabem: estou, no momento, em uma queda de agonia infinita.

Eu me sinto infinita do jeito errado.
Baby, baby, baby, baby... Why did you have to leave me? 

domingo, 18 de janeiro de 2015

saudades

gosto das suas sobrancelhas, são bem desenhadas.
também gosto do seu nariz de traços definidos...
no entanto acho que o que me encanta em você são seus olhos.
olhos castanhos,
contornados de preto - parece delineador, meu bem.
mas acho que são os cílios.
olhos puxados.
você, quase índio,
tão bonito...

no fim, acho que sinto falta do conjunto.
do corpo, da boca, dos cabelos...

do suor.


das conversas após
nós.


acho que nunca vimos um filme juntos.