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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sobre esses dias aí...

quinze minutos
e eu chorando.
deu meia hora,
tive que desligar o telefone.
desculpa.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

eu sei

tu é poeta né
desses com olhos em outros que são lânguidos
tu é desses poetas
desses que vivem de inverno em inverno
se amarram em versos de dor
tu é poeta mesmo
dá pra ver daqui o sorriso torto de quem limpa os óculos na blusa
não é algodão mas serve
tu é poeta e eu não sei nem rimar mais
me ensina
me ensina que eu ando muito reticente
eu sei que tu é poeta porque
porque eu li dois dos teus escritos
fiquei com medo de chorar e parei
tu é poeta
me faz parar poeta
não sei mais
nem vírgulas eu sei mais
sei de nada poeta
me desculpa
e me ensina
a esquecer

domingo, 3 de novembro de 2013

215 norte

Obs. inicial: O que se segue a seguir foi a primeira crônica escrita para um livro sobre a Asa Norte.


Este aqui faz-se o primeiro por ser especial em um particular tão íntimo que agora vira do mundo para quem quiser ver e se fazer especial também. Passa-se na 215 e quem o vive é apenas um rapaz; rapaz esse um tanto desgostoso de amores e pessoas... A poesia, de certo, não lhe servia de maneira alguma. Rapaz esse que tem por volta de seus dezoito anos e por agora – e pelo resto da história – não tem um nome, e nem mesmo um rosto. Rapaz esse que, como já foi dito e agora com carinho eu repito, é apenas um rapaz. O jovem da 215 norte. “Aquele cara”, “o garotão”, ele é esse mundo de pronomes, substantivos e adjetivos equivalentes a ele mesmo.

O rapaz chora, copiosa e ruidosamente, sentado no gramado ao lado do parquinho. São duas e meia da manhã e ele lá se encontra desde as duas e quinze, em prantos sem destino. O sentido, por hora, se perdera por inteiro. Aquela bobagem de sentir coisa alguma já não lhe convinha. Abraçava-se à própria mochila com uma expressão de piedade de si mesmo. Passou por ele um carro preto, e o jovem prometeu que se logo mais passasse um vermelho, enxugaria as lágrimas e iria para casa. Passou um prata e ele voltou a chorar dentro de si. Sozinho... Aquele cara está sozinho. Pegou a garrafa de vodka dentro da mochila e deu um gole de amargura. Vodka pura. Arrepiou-se. Bebia de quando em quando, chorava e penava pelo seu eu. – Também quero ter, e ser, e querer, e amar! – Parecia gritar. Inclusive, achou que tivesse gritado. Sua boca nem mesmo abrira. Estava mudo em tristeza, calado em desamor.

O jovem, pouco trabalhado na arte do emocional e da escrita, garoto objetivo; pegou seu caderno e sua caneta, respirou fundo, e no papel rabiscou dois versos simples.

“Aqui jaz, descontente,

um amante do poente.”

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

os pássaros.

Condor
eu choro
e andorinhas vão
levando o verão.