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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Ainda não.

O nome dele soa bem aos ouvidos de quem ama.
O seu sorriso tem jeito de calmaria
constrangida.
O que foi meu mar de águas heroicas,
hoje eu já nem sei.
Ele já nem sabe...
Qual foi o último beijo?
Qual foi o último afago?
Será que a memória incomoda?

Tem dor que, anestesiada
pelo vento, se faz resistente,
                             insistente.

~

O cheiro de homem de peito aberto
aquece-me as narinas;
derrama-me em lágrimas de saudade;
beija-me a ponta do nariz
                  e me sorri
                           as lembranças.

~


Quem deixou
                  a janela
                           da perda
                                     aberta?


Lembra daquele
dia que eu
bati o carro
e nossos carinhos
colidiram?

Me encara no sexo,
me beija na fala,
me sorria no até logo,

mas não fala adeus.
Ainda não.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Abandono



A doença raquítica do terror assombra a criança criadora
de tantos deuses pregadores do amor.

Minha alma carrega a tristeza de uma guerra
e seus corpos, seus gritos,
suas lágrimas de medo.
Minha alma carrega o peso das armas dos soldados do ódio
e seus olhos sangrentos, seus sorrisos culpados,
suas máscaras caídas.
Minha alma carrega a lama e a grana
daquela que parece valer mais que a vida,
a dor do que já foi doce, o rio das partidas.

Se fosse eu aquele deus

- por que me abandonaste?" -
de quem falam os "cidadãos de bem",
choveriam flores e velas a proteger os corações inquietos,
desolados, marejados, inundados e desamados.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dia 15.

O tempo não   p a s s a   e eu esqueci meu caderno em casa.
Na verdade eu esqueci de propósito para ter uma desculpa para poder ficar pensando em você.
Em você e nos seus olhos.
              Em você e no seu sorriso.
                           Em você e na sua boca...
Macia, su a  v   e...
Lábios de quem pensa
            em amor.

Encarar seu rosto de amante me faz bem, então perdoe-me se encaro demais.
Fito-lhe a alma por encanto.
Já nos imaginou nus em Paris hoje?
Eu te amo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Breezeblocks





Dançar a passos lentos com o Desconhecido.
Ele estava de terno, não tinha face.
Dançar a passos desconhecidos com o Mistério.
Ela usava um vestido preto e batom vermelho.
Dançar a passos misteriosos com a Luxúria.

Meu acerto foi chorar o leite derramado.
Escorregar no líquido branco com maestria.
Deitado nas lágrimas ácidas.
O perdedor desprovido de dor só perde.
Talvez a ilusão de ótica não tenha sido contida.

Dance comigo hoje à noite,
caídos, derretidos, mesclados.
Seu cheiro invade minha mente,
queria sentí-la mais próxima.
Abrace minha alma só mais uma vez.

Amor inquieto, saudosista.
Fugira-me com gosto e ego largo,
estou perdido no vazio que ficou aqui no peito.
Essa doença podre, pobre de espírito,
ainda vai congelar minha pele morna.