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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

bia boa bela bia


Bianca Galdino

bia bonita
me serve esse lapso

 loucura remota
que foi e será
o ácido da aurora

bia de ancas douradas
e costas de prata

fumaça dançante
de olhos vagantes

biapaziguada

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sinto falta.

Fotografia por Isa Valença

- Ei! Não chora, não, meu bem… Olha só, eu te trouxe um presente. – A garota tirou do bolso um pacotinho cintilante, entregou para o rapaz e sorriu um tanto impaciente. – Vamos, vamos! Abre. Você vai gostar. – Sentou-se ao seu lado e esperou ansiosa.

O jovem, secando as lágrimas, abriu o pacotinho, e uma luz forte invadiu seu campo de visão. – O que é isso? – Perguntou ele, ainda triste, mas visivelmente maravilhado. Ela riu e encostou a cabeça no ombro do amigo, tirando o fogo intenso de dentro do pacote. – É meu beijo em forma de estrela. – Levou a chama até o peito do rapaz e os dois ficaram observando o crepitar delicado daquela pequena estrela. – Achei que elas fossem maiores. – Ele disse pousando um dedo sobre o brio infinito daquela coisinha miúda. Ela se levantou, rindo divertida. – Não, só as do céu. As estrelas que sentimos são assim, pequenininhas, bem frágeis. Eu estou te dando uma minha… – Voltou-se para ele com um sorriso leve. – É uma bem importante. Ela cresce dependendo do que você faz com ela. Mas se você não a quiser… Não se preocupe, ela não vai se apagar tão rápido. Você ainda vai poder admirá-la por um tempo, ela se esvanece lentamente. 

Ele pareceu preocupado, encarou a estrelinha em sua mão, tão brilhante, tão pura… – Eu não sei se você deve me entregar isso. – Ela fez um gesto despreocupado e ajoelhou-se à sua frente. – Você precisa sair um pouco dessa escuridão, sabia? – Aproximou-se e beijou seus lábios, de uma forma tão delicada quanto a estrela que estava na mão dele. O brilho aumentou sutilmente e dois sorrisos se fizeram. – Acho que o calor da sua estrela secou um pouco das minhas lágrimas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Extroversão

Fotografia por Pedro Santos e Isa Valença


“Perdeu a pose.”
E penso:
- Mas ganhou charme.

E que charme! Que encanta, provoca, atiça e desliza... Não desmerece a estima. Mas que charme, ein?

“Perdeu a pose.”
E jogo:
- Mas ganhou força!

Força de rua, costas nuas, viro sua... E o compasso é valorizado em passos de vagabundo clássico. Mas que força, rapaz!

“Perdeu a pose.”
E me ouço:
- Perdeu nada...

Que pose não é mérito e esse tititi de revista de fofoca só faz da gente menos gente. Vamos ao natural, descer do salto e tirar a gravata! Sua pose, moço, é na cama.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Histórias de amor duram apenas noventa minutos.


Caio Blat em Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos


A verdade é que apaguei tudo o que escrevi. E talvez seja melhor assim. Mantenho o título, mantenho esse pedido de desculpas por não postar o texto original, mantenho as bochechas vermelhas de vergonha por sentir algo tão engraçado. Eu falei pouco? Falei muito? Eu falei? Nem lembro... Deixo quatro versos.

O encarar perfurante
não queria me largar;
ou talvez quisesse,
e eu não deixava soltar.

Acho que o detalhe maior está nas minhas bochechas vermelhas e na sua risada pós-olhar. Timidez conjunta, quem sabe? Eu romantizo até amizade, espero que me perdoe. A realidade é mais difícil de ser descrita que a ficção, haha. Aos meus leitores, se realmente tenho algum, eu acabo por aqui... Feliz ano novo.

A você, peço um reencontro. Conversar foi bom.